Considerada uma das mais belas mulheres de seu tempo, Olive Thomas ironizou, em um dos seus últimos filmes, uma moda que estava nascendo e governaria durante toda a década de 1920: a ousada e sensual “flapper”. Se tivesse vivido mais, é difícil de acrediar que a angelical moça aderisse ao estilo, mas certamente continuaria arrasando corações. Infelizmente, Olive faleceu de modo trágico em setembro de 1920, aos 25 anos.
Genevieve King (Olive) é uma garota sonhadora que mora na pacata cidadezinha de Orange Springs. Ao ser vista passeando com seu vizinho Bill (Theodore Westman Jr), Genevieve é mandada pelo severo pai para um internato feminino perto de New York. Lá, ela continua sonhando em encontrar um príncipe encantado, e isso parace estar perto de acontecer, pois o charmoso Richard Chenning (William P. Carleton) cavalga todos os dias em frente à escola. Seguindo seus sonhos ingênuos, Genevieve vai a bailes, foge da proprietária do internato e até se envolve em um roubo de joias planejado pela colega malvada Hortense (Katherine Johnston). Norma Shearer e a irmã Athole fazem pontas como estudantes.
Ao voltar para casa nas férias, ela finge ter virado uma “flapper”, usando roupas elegantes e dizendo que seduzia vários homens na cidade grande. Seu estilo neste momento lembra vamps do cinema mudo, como Theda Bara ou Pola Negri. No entanto, essa parte é uma grande zombaria, pois Olive era muito mais parecida com as virginais Mary Pickford e Lillian Gish.
Algo muito interessante neste filme são os seus intertítulos decorados. Eles não trazem apenas um diálogo ou o texto narrativo, mas também desenhos relacionados às situações na tela. Por isso vemos bonequinhos de chumbo, cavalinhos de brinquedo, túmulos à venda, corações palpitantes e garrafas de bebida em meio às frases.
Algo muito interessante neste filme são os seus intertítulos decorados. Eles não trazem apenas um diálogo ou o texto narrativo, mas também desenhos relacionados às situações na tela. Por isso vemos bonequinhos de chumbo, cavalinhos de brinquedo, túmulos à venda, corações palpitantes e garrafas de bebida em meio às frases.
A experiência de ver essa película muda foi levada ao extremo, pois a versão a que eu assisti era realmente MUDA. Nenhum som se ouvia. Por isso eu coloquei para tocar várias músicas instrumentais que nem sempre combinavam com o que passava na tela. Porém, algumas músicas combinaram perfeitamente, como “Elizabethan Serenade” durante os esportes de inverno e “Pompa e Cirscunstância” durante o baile.
Nascida Oliveretta Elaine Duffy em 1894 em Pittsburgh, Olive (apelido dado pela família) foi para New York depois do fracasso de seu primeiro casamento, aos 18 anos. Chegando à cidade grande, ela passou a trabalhar como vendedora e, em 1914, ganhou um concurso de garota mais bela e, a partir daí, posou para várias pinturas e capas de revista, até ser contratada para ser uma Ziegfeld Girl. Ela faria sua estreia no cinema em 1916, mesmo ano em que se casaria com Jack Pickford, irmão da estrela Mary.
Depois da estreia de “The Flapper” e de finalizar “Everybody’s Sweetheart”, Olive partiu com Jack para uma segunda lua-de-mel em Paris. Depois de uma grande festa, Olive deciciu tomar um remédio para dormir e acabou ingerindo veneno, que a deixo cega e com as cordas vocais queimadas, matando-a cinco dias depois. Embora houvesse a hipótese de suicídio, a história mais aceita é a de que ela se confundiu com o rótulo em francês, tomando uma substância com mercúrio (HgCl2).
O casamento com Jack nunca foi fácil. Os dois adoravam viver perigosamente e desfrutar das festas de alta sociedade. A família de Jack não aprovava o casamento, pois, segundo Mary Pickford, Olive era do mundo do teatro, de uma realidade diferente de quem estava no cinema. Apesar das brigas do casal, eles eram muito apaixonados e, em 1920, adotaram o sobrinho de Olive, após o menino ficar órfão. Depois da morte da esposa, Jack nunca mais foi o mesmo. Ele se entregou ao acoolismo, casou-se mais duas vezes e faleceu em 1933, aos 36 anos.
Com olhos violeta, cabelos castanhos e um rosto angelical, Olive fez 24 filmes em apenas quatro anos de carreira. A linda atriz, apesar de estar exagerando nas reações, parece mais glamourosa nas cenas vestida de “flapper”. Este filme foi feito pela companhia de Myron Selznick (irmão de David), onde também trabalhavam seus dois irmãos. Olive reclamava que não havia estereótipo que lhe servisse, pois estava entre a menina ingênua e a mlher sedutora. Apesar de sua beleza e de seu sucesso, a estrela hoje está um pouco esquecida, mas conseguiu provar, junto com Jean Harlow e James Dean, que não é preciso viver muito para escrever seu nome em Hollywood.
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Para os interessados, “The Flapper” pode ser assistido no Internet Archive ou no YouTube.





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